IDEMI 2015

Pela primeira vez participei de uma conferencia internacional de design! Foi o IDEMI 2015 –IV Conferência Internacional de Design, Engenharia e Gestão para a inovação – onde apresentei dois artigos científicos :3 Um deles sobre a relação entre escolhas projetuais de design e a água, e o outro sobre tecnologia assistiva (Moovah!). Tenho minha primeira publicação científica nos anais do IDEMI 2015!

Fiquei nervosa no dia das apresentações, mas foi tudo bem e deu tudo certo, hehe.

Foram 3 dias de MUITA informação, de muitas apresentações e trocas de salas e chegar tarde em casa pra acordar antes das 6 da manhã… mas valeu muito a pena! Conheci gente nova, ouvi coisas novas, conheci coisas novas, conheci professores novos, ouvi muito espanhol, e enfim, me enriqueci. A UNESP estava em peso no evento! Tinham uns 4 convidados de Portugal, e autores de artigos de todas as regiões do Brasil.

Além das apresentações dos artigos (que eu consegui assistir umas 50 ao todo, calculo eu), tivemos 6 palestras muito interessantes, que renderam indicações e novidades. Vou contar um pouquinho sobre cada uma delas aqui pra vocês! Peço desculpas por não ter as fontes das informações que eles utilizaram, pois me ative a anotar os pontos-chave.

1 – Palestra com Federico Hess: The game of business

O Federico começou a palestra contando um pouco sobre a trajetória dele na Royal College of Art, onde ele comentou ser o curso de “Engenharia do Design”. Fui pesquisar um pouco a respeito e encontrei uma matéria falando da diferença entre engenharia e design. Não acho que ela seja suficiente e plena, mas enfim, dá pra entender um pouco mais. Sobre a Royal College, ele também comentou que servia realmente de laboratório e tudo que eles produziam lá dentro, 7 anos depois de projetar, estava no mercado. Eles realmente davam segmento aos projetos, não deixavam morrer.

Na sequencia ele comentou sobre inovação. Disse que que ela é ingrediente da economia moderna e que proporciona crescimento permanente e sustentável. É vista como maneira de gerar riqueza. Pontuou que novidades ≠ inovação. Falou sobre a importância de passar a inovação para os sistemas produtivos, senão teremos apenas patentes e pesquisas.

Depois ele trouxe alguns dados sobre crescimento empresarial e inovação:

5-15% é a porcentagem de crescimento das empresas quando há inovação;
50% da faturação vem dos produtos e serviços lançados nos últimos 5 anos.

Federico também atentou para a questão de utilizarmos o mesmo modelo de educação, enfatizando a importância da inovação educacional, mencionando o Modelo TEC 21, e o Edu Tools Tec (que por sinal, achei bem interessante).

Depois disso, ele falou sobre estratégias reativas e pro-ativas. Falou sobre marketing mix, alianças estratégicas e novas propostas de valor.

Em seguida, falou sobre a origem da inovação, onde a fase 1 seria a globalização, a fase 2 seria a “glocalização”, a fase 3 seria a inovação local e a fase 4 seria a inovação reversa. Enfatizou a questão da geração de conhecimento local para gerar novas soluções.

E então, ele trouxe alguns dados sobre a inovação ao redor do mundo, mencionando o Global Innovation Index, que traz inclusive infográficos sobre a temática \o/ Achei bem legal e também não conhecia. Também falou que estamos cometendo homicídio criativo nas escolas, matando a criatividade das crianças, e predefinindo modelos de raciocínio (ele trouxe o exemplo dos desenhos de casa, homem, mulher e etc – que 98% das pessoas desenham do mesmo jeito – e do alfabeto – que todo mundo diz na mesma ordem, do mesmo jeito – dos mapas e das linguagens).

Também disse que a possibilidade de inovação é bem baixa se ficarmos sempre entre as mesmas pessoas, nos mesmos lugares, com as mesmas leituras e com as mesmas novelas que todos vêem. É preciso sair e aumentar o repertório.

Ele também comentou que grande parte das empresas considera a inovação como evento fortuito e acidental.

Mencionou que política, pessoas, pesquisa, negócios, infraestrutura, financiamento formam um eco-sistema.

Então, como inovar? Ele inicia essa parte com mais dados:

95% das tentativas de inovação fracassam;
52% abandonam os projetos na fase de planejamento;
24% resultam em protótipos que não atingiram as expectativas;
12% trocam de prioridades;
8% são implantados com êxito.

Além disso, trouxe a informação de que as empresas gastam menos de 5 dias ao ano para treinamento dos funcionários para tarefas operacionais.

Fez uma analogia para compreender como podemos ver a relação entre dados, informações, ideias e etc:

Dados – ingredientes, Informação – bolo (Explícito), conhecimento (tácito), Know How – expertise, Know Why – compreender princípios, ideias – gerar novo know how.

Mencionou então David Gurteen (knowledge management). E falou sobre os estilos criativos (sonhador, pragmático, inovador, repetidor…);. Em seguida, falou sobre visões de futuro e o passo-a-passo para criá-las: innovate you/innovate yout teamwork/venture design/ecosystem.

Após, ele fala sobre gamification e problemas difusos (buscando outra maneira de ver e resolve-los), mencionando mindsets e metaskills como habilidades para inovar, mencionando também: empatia, observação, criatividade, colaboração/co-criação, prototipação e pensamento critico.

Menciona então o Marty Neumeier (dá pra conferir um dos livros dele aqui), falando na sequencia sobre Fluidez Criativa, onde quem consegue de 4-12 ideias é considerado iniciante, 15-22 intermediário, +33 avançado.

Falou para evitarmos o temor do fracasso, afinal,

Êxito = f+f+f+f…

O êxito é a soma de pequenos fracassos, e pra ilustrar isso, citou James Dyson (criador do aspirador Dual Cyclone), que elaborou 5.127 protótipos até chegar no produto adequado…

Pesquisei um pouco sobre o Federico Hess e encontrei uma matéria com ele, e uma palestra do TED.

E acabei encontrando outras coisas interessantes quando pesquisava sobre as coisas da palestra dele: http://www.liquidagency.com/latam | https://www.bcg.com/ | http://www.itesm.mx/wps/portal?WCM_GLOBAL_CONTEXT=

2 – Palestra com Pablo Kunst: Still believe in eye contact

Ou melhor, volver a mirar a los ojos! A palestra do Pablo foi muito legal, com muita poesia e sensibilidade.

Ele iniciou falando que somos primeiro pessoas e estamos perdendo isso quando queremos ser apenas nossos títulos (Doutor fulano, Professor fulano, Magnífico fulano…).

De pronto, falou sobre neurodesign (que eu achei interessantíssimo!). Em seguida falou que a imagem é uma impressão da alma.

A palestra dele foi sobre a percepção dos sentidos e o quanto estamos deixando isso de lado, ficando presos a aparelhos celulares e outras distrações. Os slides eram fotografias que ele comentava. Disse que é importante comunicarmos com verdade, para passar realmente a sensação de compromisso. Disse para sermos “acreditáveis” e não mentiras, e disse que desídias são fatais.

Mencionou a série “Lie to me“, falando sobre a linguagem dos gestos, pareidolia, e ressignificação.

Em seguida falou do abraço peito com peito/coração com coração (mostrando o vídeo do Leão Cristopher), e a importância de ter modelos a seguir (pessoas em quem se espelhar).

Para finalizar, disse que o design sem verdade, de nada serve.

Pesquisei um pouco sobre o Pablo e encontrei esse link aqui.

3 – Palestra com Alastair Fuad-Luke: Design Transition through radical… (não consegui copiar o resto)

Fuad começou falando sobre os tipos de economias: neo-liberal, transicional, e economias alternativas, mencionando a eco-econonomia, bio-economia, economia-verde, eco-inovação (multiple capitals, eco-eficiencia). Encontrei um “resumo” disso tudo aqui.

Ele também frisou a importância de mudar hábitos e criar seus hábitos.

Mencionou o ForeSight, e disse que a inovação radical precisa de sistema tecnológico, estrutura social, cultural e econômica para poder acontecer e dar certo.

E encerrou dizendo que precisa mudar a tecnologia e os comportamentos, bem como fazer a destruição/desconstrução criativa.
4 – Palestra com Jose Antonio Diego-Mas: Metodos inovadores en el diseño de productos/servicios: nuevas tecnologias para nuevas formas de diseño

O José começou dizendo que ele é de Valencia e trabalha no Labhuman (vale a pena conferir os projetos deles!). Falou especificamente de neurodesign e percepção cerebral de formas e atuação das emoções nas escolhas e preferências (não é tão novo pra mim, visto que na disciplina de finanças pessoais já estudei um pouco sobre neurociência e nos livros do Dan Brown tb abordava isso, hehe).

Me chamou muito atenção a explicação que ele deu para a percepção de formas curvas e retas, onde as formas curvas são muito mais cômodas para serem percebidas pelo cérebro, pois dão menos trabalho para processar a informação. Já as formas retas são percebidas como perigosas (cortantes), gerando medo. Ele também comentou que já conseguiram estabelecer relações, através de estudos, entre pessoas que preferem formas retas e o tamanho das amigdalas cerebrais: as pessoas com amigdalas menores, preferem formas mais retas.

Os atores envolvidos nos processos de decisão são: dinheiro, emoção e razão (nessa ordem). Onde os processos emocionais são mais rápidos e cômodos, e os processos racionais são mais custosos/trabalhosos e lentos.

Deu exemplos de instrumentos de pesquisa, como o Face tracking, Eye tracking, FMRI (ressonância magnética) e EEG (eletroencefalograma).

Pesquisando um pouco sobre o tema, encontrei 10 segredos de neurodesign que todo “gerente de produtos” deveria saber e uma startup que visa desbloquear a criatividade.

5 – Palestra com Marcelo Ferraz: invenção do patrimônio

O Marcelo começou a palestra de forma bem poética, dizendo que o que importa é ter ressonância no coração, você precisa gostar do que faz.

Disse que é importante ter tanto a indignação quanto a paixão na hora de projetar. E não podemos deixar que a poesia escape, pois ela é tão fundamental quanto a água. Sendo assim, não podemos perder a nossa visão poética. Quando uma coisa é justa, ela é bonita.

Para ele, estética = sentido das coisas, e senso estético = por quê das coisas. Ser designer é se questionar, e pra ele é inconcebível um designer egoísta, pois os designers estão sempre pensando no outro, na experiência do outro, no que o outro precisa. E o design mais completo dá sequência à alma humana e à mão de deus.

Em seguida, mostrou 4 projetos em que trabalhou, sendo eles: Museu do Pão, Museu do Pampa, Praça das Artes e Museu Cais do Sertão Luiz Gonzaga. Por sinal, achei todos muito bons! Ele trabalha muito bem os contrastes entre os estilos arquitetônicos e entre o antigo e o novo.

Provocou os designers gráficos duas vezes durante a palestra, ao dizer que usou símbolos presentes nas obras deles como Identidade visual e não contratou designer pra fazer isso. E noutro momento até contratou, mas não gostou das propostas e usou o simbolo do cobogó como Identidade… cutucou a onça com vara curta. Duas vezes.

Ele falou sobre os moinhos abandonados da serra gaúcha e sobre pintura com latex de figo e óleo (que dura até hoje, em ótimo estado de conservação – considerando que já passaram mais de 100 anos). Comentou sobre usar concreto pigmentado também e encerrou com uma frase do Gilberto Gil:

“o povo sabe o que quer, mas o povo às vezes
quer o que não sabe”

5 – Palestra com Henrique Rozenfeld: Design e desenvolvimento de produtos: para que serve um modelo de referência do processo?

Bom, o Rozenfeld iniciou dizendo que tudo que vc ler sobre briefing você pode amassar e jogar fora… e não pude deixar de observar que ele usou comic sans nos slides (numa apresentação pra designers)…

Foi a palestra que menos entendi, na verdade. Vou mencionar alguns pontos chave que anotei, mas não entendi.

Fenômenos multifacetados. Modelo = representação da realidade. Modelo de referência/processo (genérico, específico – conhecimento tácito). Isso tudo engessa.

FFE = Fuzzy Front End (fuzzy = confuso, não estruturado), Roadmaps (RM), Lean Leadership Lessons. Mundo project management – modelos híbridos.

BPM – gerenciamento de processos de negócios.

E ao final, indicou o Portal de Conhecimentos, onde tb está a apresentação que usou na palestra.

No site do IDEMI tem toda a programação, onde vocês podem ver os assuntos dos artigos e seus autores. Recomendo fortemente a leitura dos anais do evento para saber na íntegra os assuntos dos artigos das apresentações.

Além disso, outras referências feitas durante as apresentações, foram sobre dois livros: O monge executivo, e A roupa nova do imperador. Recomendaram buscar os trabalhos do Fernando Secomandi e da Carina Freire. Também falaram sobre as empresas mais antigas do mundo, e sobre as mais antigas que continuam em atividade. Achei bem interessante! Fiquei sabendo sobre o Translab – laboratório cidadão/coletivo criativo e achei a proposta bem legal. Também fui pesquisar um trabalho mencionado numa das últimas apresentações que assisti, sobre moda e design ergonômico, falando sobre a percepção das mulheres em menopausa. Encontrei ele aqui. E também descobri o app Kosme, onde você pode observar e colecionar adesivos de astros.

Para fechar o evento, foram premiados os 7 melhores artigos do IDEMI, e fizemos uma dinâmica onde tínhamos que dizer como estávamos saindo do evento. Foram feitos agradecimentos (e até eu chorei) e homenagens. E, depois de tudo, teve o jantar de encerramento (por sinal, o evento também se destacou pela quantidade/qualidade da comida: além de coffee break, teve cocktail, happy hour e jantar).

E é isso, gente…
Voltei mais bonita por dentro, com o cérebro cheio de novidades, e feliz por ter participado de um evento que eu me esforcei pra ir, que eu banquei pra ir, que eu apresentei trabalho, enfim, senti que meus esforços valeram a pena :3 Rumo ao IDEMI 2017, que vai acontecer em Portugal!

Espero que vocês também tenham aproveitado esse “resumo” que fiz. Beijos e até a próxima!

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