A gente tem que dizer o que é óbvio

E isso vale pra tudo, de manual de instrução, até dizer que ama.

Portanto, aqui estou eu. E vim falar sobre coisas óbvias, mas que parecem que não são tão óbvias assim.

Vivemos numa sociedade (começo mais clichê que me veio a mente) feita por pessoas. Pessoas que se não morrem jovens, envelhecem. Certo? Certo. Logo, por quê não fazem as coisas (projetos de design) pensando nas pessoas idosas também que irão utilizar o artefato? Se desde que o mundo é mundo, quem não morre, envelhece, por que excluir essa parcela da população do projeto? 

O mesmo vale para crianças. Se desde que o mundo é mundo, sempre nascemos pequenos, somos pequenos, para depois chegar a fase adulta, por que os projetos ignoram esse público?

Não entendo por que fazer projetos específicos pra esses públicos, se a maioria das coisas vai estar em contato em algum momento com uma criança ou com um idoso

Exemplo: móveis. Observe os móveis a sua volta, e veja se eles possuem quinas. Quantos móveis que você tem que NÃO POSSUEM quinas? E qual a probabilidade de alguém que comprou a mesa que você projetou (ou não) com tanta dedicação, venha a ter crianças em casa, ou que alguma criança vá visitá-la, ou que enfim, seu produto esteja exposto às crianças? Outro exemplo: Smartphones. Qual a probabilidade de idosos utilizarem smartphones, por necessidade ou por desejo? Por que não projetar pensando nisso? Ou pelo menos oferecer alguma opção de personalização nesse quesito… Um artigo que fala exatamente sobre isso é esse aqui.

Tem teorias que dizem que o usuário nunca está errado, que é o artefato que não foi projetado considerando tudo que era necessário (ou determinados aspectos). Mas se a população está ficando cada vez mais idosa, por que não levar isso em conta nos projetos?

Há questões de projeto referentes ao design universal (para poder ser utilizado pelo maio número de pessoas possível, que me parece fazer muito sentido nesse contexto), e ao design inclusivo (para um menor número de pessoas  poder também utilizar). Entendo que deva existir foco. Eu entendo que não dá pra atender tudo e todos.

O que eu questiono é como que a maioria dos projetos das coisas que utilizamos no dia a dia não levam isso em consideração. O que eu acho estranho, é que 90% das coisas não foram pensadas para “90%” das pessoas! São feitas talvez para a média, que no frigir dos ovos, sabemos que não existe – tipo fast fashion, tamanho padrão, que geralmente não fica bom pra ninguém no final das contas. E são detalhes muitas vezes simples. Fazer borda arredonda ao invés de quadrada. Fazer a interface mais intuitiva ou a navegação facilitada, ou manuais melhor elaborados.

Se há chances do seu produto estar inserido num contexto/ambiente também frequentado/utilizado por idosos, ou crianças (por exemplo), e sempre haverá idosos, e sempre haverá crianças… não faria mais sentido mais produtos levarem isso em conta? Não digo projetar especificamente para esse publico uma coisa que nem será utilizada por eles (a princípio), mas o que questiono é que muito provavelmente o seu produto vai sim ~conviver~ com um desses dois (ou os dois) públicos. E a Terra sempre terá esses dois públicos (supostamente).

Por que projetam sem pensar na parte funcional?

Outro exemplo: um apartamento que a cama só pode ficar numa posição, que só cabe cama e guarda-roupa e não tem mais espaço nem pra criado mudo. Tá. Ninguém usa criado mudo? Ninguém pode preferir cama noutra posição? Só pode dormir de um jeito? Outra: fazer banheiro sem ter nenhum gancho pra pendurar roupa ou toalha ou pano de piso. Oi?E quem que projeta móveis, ou apartamentos, pensando que haverá roupas pra passar? Onde guardá-las? Outra situação: normalmente temos tanque nos apartamentos… e os que não tem área de serviço (e aí nem tanque tem, e nem espaço pra máquina de lavar)?

Gente… vamos pensar melhor antes de projetar e ter mais empatia, flexibilidade e amor no coração?

Fica meu apelo.

Um Beijo

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