As 257 tretas da minha pesquisa de mestrado

Resolvi escrever esse post por que acredito que não sou a única/exclusiva da história que está passando (ou já passou) por um amontoado de “eita atrás de eita” durante a pesquisa de mestrado. E a ideia era você não se sentir sozinho nessa, e eu não me sentir sozinha nessa. Vamos dar as mãos, e nos abraçar e rezar juntos? Acho que estamos precisando de um pouco mais de arruda na nossa vida, então senta que lá vem história…

Vamos começar do início…

Quando entrei no mestrado a minha orientadora estava de licença. Tive que esperar uns 2 meses até conseguir conversar com ela sobre minha pesquisa. Ou seja, as aulas começaram em março e eu só fui falar com ele em maio…
Quando fui conversar com ela falei que eu não queria fazer o que constava no meu pré-projeto, que aquilo eu tinha feito por que realmente não sabia o que fazer no mestrado.

(Ou um pouco antes do início…)

Quando eu escrevi o meu pré-projeto, eu só sabia o meu nome. Eu estava na semana da minha formatura da faculdade, terminando os ajustes do TCC, e cuidados dos 432 detalhes que antecedem uma formatura, o baile, o vestido, o cabelo, a maquiagem, o horário no salão, os convites, enfim. Eu não fazia ideia do que eu queria pesquisar no mestrado. Eu só sabia que eu tinha que escrever um pré-projeto naquela semana, e enviar dentro do prazo (era agosto de 2016, se não me engano). Então o que eu fiz? Escrevi um projeto que seria a continuação do meu TCC (modelo de peça gráfica sobre instruções de preparo de medicação). Apenas.

Continuando…

Então, ela me deu algumas grandes áreas que ela atuava pesquisando e disse pra eu pensar em algo dentro dessas possibilidades, que eu gostaria de fazer. Me deu algumas sugestões mais genéricas, pra eu refinar e ver o que eu sentia mais vontade de pesquisar. Ela tava com vontade que eu pesquisasse sobre animação, e isso era um tema que eu tinha certeza que não queria.
Aí, eu comecei a desenvolver uma lista com todas as possibilidades que me vinham a mente. A lista ficou com 22 alternativas. Envolvia EaD, área da saúde, e infografia.

Pra ajudar…

Na semana de escolher e refinar meu tema de pesquisa, meu então namorado resolveu que queria terminar o namoro de 5 anos, do dia pra noite e sem muitas explicações. Estava eu numa cidade nova, onde eu não conhecia ninguém, sem dinheiro, sem ter pra onde ir, e com uma semana pra escolher o que eu ia pesquisar durante meu mestrado.

 

Agora vai….

Defini então que eu ia trabalhar: Experiência do Usuário em Infografia EaD na área de saúde. É um tema ok pra mim, nada que eu ame de paixão, mas une 3 coisas que eu curto, então pode ser que seja realmente bom. A partir disso já definimos que seria para uma instituição que minha orientadora já pesquisava, e que a amostra seria os próprios materiais que eles desenvolviam. Eu iria analisar os ebooks dos cursos com maior número de matriculados (seria algo em torno de uns 40 ebooks, ao todo – analisados página a página). E ler as dissertações dos orientandos da minha orientadora, na íntegra. Enquanto isso eu já estava fazendo uma Revisão bibliográfica Sistemática sobre o que eu achava que seria a minha pesquisa. E escrevendo artigo pro final do trimestre do mestrado.

Antes e Durante as férias de julho

Na verdade, eu não tive férias. Durante os dias de recesso do mestrado, eu procurei lugar pra morar, em torno de 5 a 6 por dia, quase todos os dias. Quando chegava a noite em casa, lia as dissertações e estudava sobre o tema da pesquisa. Enquanto o então namorado, tocava guitarra na sala por 3h consecutivas. Vamos lá. Fiz uma proposta de modelo analítico pra começar a analisar os materiais dos ebooks e as infografias encontradas nos materiais. Me quebrei pra conseguir montar o modelo analítico, mas ok, consegui algo pseudo-razoável. Comecei o estudo analítico e… na verdade eles não utilizavam infografia. O que eu iria pesquisar não era utilizado na minha amostra.

Giro de 90 graus (ainda em julho)

A partir disso, troquei a questão da infografia, pra visualização da informação. Fui ver afinal o que mais eles utilizavam nos materiais e falaria dos potenciais da infografia pra aprimorar a experiência do usuário. Fiz uma nova análise dos materiais.
Concomitante, eu estava num grupo de estudos, com outros dois orientandos da minha orientadora, que pesquisavam áreas afins e na mesma instituição. Era uma troca, ajuda mútua e pesquisa em conjunto. Pra pesquisa de um deles, foi necessário realizar entrevistas com a equipe de produção dos materiais (ebooks). E o resultado que tocou pra mim, foi que na verdade, eu estava analisando materiais antigos deles. E de nada adiantaria eu dar recomendações de melhorias da experiência do usuário, se eles nem faziam mais desse jeito, e agora estavam muito mais atentos a algumas questões (supostamente). Oh well, a minha amostra estava errada. Quando fiz uma síntese das entrevistas realizadas, meu enfoque também tava errado, eu tava trabalhando com o processo de produção e deixando o usuário (que era pra ser meu foco) de lado.

Troca de amostra…e de casa.

Depois de estar com o estudo analítico quase pronto, eu troquei minha amostra. Corri atrás de saber quais eram os materiais mais recentes que eles produziram, num horizonte de 1 ano (por que mestrado o tempo é curto), e comecei a analisar os materiais tudo de novo – eram outros 40 ebooks. Até aqui eu não tinha noção da minha pesquisa, estava bem perdida e sem entender direito como as coisas iam funcionar, como ia ser, o que eu ia fazer. Isso era final de julho, e o então namorado resolveu me dar 1 semana pra sair da casa dele (tão minha quanto dele). Me mudei na primeira semana de agosto. Corri pra terminar o estudo analítico de uma vez, já que minha orientadora constantemente me lembrava que eu estava muito atrasada (sensação que eu carrego durante o mestrado inteiro). Peguei um final de semana, e só fiz isso. Analisei as 365 páginas que faltavam em 2 dias. Terminei. Escrevi até aqui umas 40 páginas da dissertação. Estava preocupada com as leituras de UX, por que a maioria é tudo em inglês e sou uma lerdeza pra ler em inglês.

Mar calmo não faz bom marinheiro…

Aqui eu comecei a entender o que ia rolar na minha pesquisa. Começo a ver uma luz no fim do túnel. E aí duas semanas depois de terminar o estudo analítico, minha orientadora me pergunta se eu quero mesmo continuar com esse tema, e com essa orientadora.
Pra quem não sabe, eu já tinha visto esse filme, nos idos de 2015, quando troquei de orientador no meu TCC (e foi a maior bênção que podia ter acontecido), às vésperas da primeira banca. Dessa vez, estávamos tendo alguns atritos meio sub-entendidos, umas coisas que não estavam sendo legais, e…Ok, Evelyn. Surtei? Surtei. Chorei? Chorei. Mais um pouco. Decidi que sim. Eu ia mudar de orientador então. E consequentemente, de tema de pesquisa. Era possível, eu já tinha feito isso uma vez, e vai dar certo. Vamos lá. As 40 páginas? Ficam de experiência…

Novidades…

Graças a Deus, a única opção que eu tinha de professor pra me orientar aceitou meu convite. E ela é um amor de pessoa, então fiquei MUITO feliz de ter dado certo. E aliviada. Porém, vamos mudar de tema de pesquisa. Tivemos que achar algo que agradasse a nós duas. Duas semanas e pronto: Diretrizes para desenvolvimento de infografia em smartphones. Não é algo que eu manje, não é algo que eu ame de paixão. Mas é algo que aproveita o que eu tinha, e que eu consigo correr atrás. Ok, lá vamos nós de novo pra RBS, pesquisa tudo de novo, etc, etc. Viajei pra Natal (CIDI, que falei aqui), pra apresentar minha RBS que tinha feito pro meu primeiro tema de pesquisa. Pausa nas tarefas, nas pesquisas. Volta.

Como vou fazer minha pesquisa e qual vai ser a minha amostra….

Agoniada com a qualificação, pergunto pra minha nova orientadora se preciso ter o estudo analítico pronto pra qualificação e ela me esclarece que não. Graças a Deus, foco no capítulo de método. Preciso definir minha amostra. Eu estava tranquila pois já tinha desenvolvido todo esquema de como seria a pesquisa (fiz uma representação gráfica de síntese – RGS – e já tinha ajustado alguns aspectos que precisavam), agora era só botar no papel e definir exatamente as amostras (afinal, eu já sabia que usaria duas revistas específicas -me patrocinem que eu digo o nome, rs). Bem, eu faria um estudo comparativo entre infografia mobile em m-learning (pra manter aspecto social de EaD) e revistas premiadas em infografia. Com isso eu iria identificar as tendências, e ver se ela seguiam as recomendações que a literatura trazia. A partir disso eu faria teste com usuário pra identificar problemas e depois proporia soluções. Muito bem. Finalmente tava claro na minha cabeça o que eu faria, eu só não entendia direito como. Mas vamos por partes.

Tem certeza que o m-learning vai ser uma boa?

Como eu falei pra minha orientadora que até agora não sabia a minha amostra de m-learning pra analisar, e que tinha carência de materiais e coisas referentes ao meu tema, minha orientadora sugeriu tirar o m-learning e focar na revistas. Era pra eu pensar se valia mesmo a pena continuar com o m-learning nesse contexto. Saí da aula #chateada. O enfoque social é algo que eu prezo MUITO na pesquisa, pra eu sentir que tem relevância, preciso ver a função social da pesquisa que eu to desenvolvendo. Focar nas revistas, a meu ver, era muito “mercadológico”. Eu tinha que pensar se eu queria manter o m-learning e quais outras alternativas eu tinha pra continuar tendo uma função social. Bom, propus tirar o m-learning, mas manter o foco em infografia na área da saúde. Minha orientadora topou. Pra semana seguinte, eu precisaria escrever um rascunho do capítulo de método.

O capítulo do método – escolhendo a amostra…

Digamos que smartphone é algo bem inusitado pra eu pesquisar, visto que ganhei meu primeiro smartphone há 6 meses só, em decorrência do término – agora eu teria que pedir meu uber sozinha. Meu celular tem 16GB de memória. RS. 16. Fucking 16GB. Não é 32 e nem 64. Em 6 meses eu já tive que esvaziar ele umas 2 ou 3x. Finalmente fiz isso pra ter ter espaço pra baixar as revistas que eu iria analisar. Lembrando que mestrado é uma correria, eu viajei pra Natal, e depois fui cuidar da minha mãe que tinha feito cirurgia em Floripa. Voltei de viagem, e então esvaziei o telefone e fui organizar minha amostra. O rascunho do capítulo de método é pra depois de amanhã. Eis que dá OUTRA BIG TRETA. O que eu ia pesquisar, simplesmente não existe. Mandei e-mail desesperada pra minha orientadora, e vejam que legal que ele foi:

“Então, Houston we have a problem.
Hoje limpei meu celular pra pode baixar as revistas necessárias pro estudo analítico, definir as amostras com mais precisão e etc. 
Aí acessei o site da x e da y.
Surprises.
A x tem tipo 2 matérias abertas pra smartphones (o resto é pra assinantes) por edição… Daí pra achar uma que seja sobre saúde…
Na y é mais tranquilo, não funciona por edições da revista e sim por matérias, que me parecem todas abertas ao publico.
Tentei usar mecanismo de busca por “infográfico” em ambas, porém na y não funcionou (o campo de busca não está ativo), e na x retornou resultados do google. Abri matérias falando de infográficos premiados da x (de abril de 2017), MAS, tadã, quando abri uma das matérias q continha um dos infográficos premiados, o que tem são imagens das matérias que continham o infográfico na revista impressa, sem ser clicável nem nada. E quando fui pra matéria original, não tinha infográfico na versão mobile. Ao tentar no desktop, tadã, também sem infográficos. Ou seja, os infográficos só acontecem na versão impressa.
Aqui estão os links das matérias:
(x e y)
Já na y, do que vi, a maior parte das matérias na versão mobile se restringe a texto e no máximo uma ou duas fotos. O resto são anúncios. Padrão esse que também existe na x.
E agora, José?
D:
Que que a gente pode fazer??? #desespero
Aguardo ansiosa sua resposta,
Beijo,
Evelyn”

Segue o baile…

Bom, agora eu to na fase de pensar em alternativas. Trocar a amostra, a pergunta de pesquisa, ou o tema todo. Fiz algumas pesquisas de ontem pra hoje e estou tentando achar uma solução menos pior. Minha orientadora respondeu sugerindo fazer um giro de 180 graus agora, na direção do m-learning, dizendo pra eu pedir ajuda pra outra pessoa. Pedi ajuda, já li os materiais, já pesquisei, já pedi mais ajuda. Já rezei também. Fiz rascunhos de novas propostas, e agora vou mandar por e-mail pra minha orientadora. E acho que ainda não terei o capítulo de método…

Torçam por mim, torço por vocês.
Por hoje era só.
Fiquemos bem,
Beijos,
Evelyn

Aí quando eu comecei a olhar

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